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domingo, 17 de abril de 2011

Janet Balaskas: "O movimento internacional por mudanças na assistência ao parto"

EVENTO GRATUITO - NÃO PRECISA INSCRIÇÃO

20/04/2011, quarta-feira, 9h30-12h
Faculdade de Saúde Pública da USP
Av. Dr. Arnaldo, 715 - Cerqueira César - São Paulo - SP


"O dia em que Janet disse pela primeira vez 'parto ativo' talvez tenha sido o mais importante da história da obstetrícia na Europa... desde o dia em que o médico francês Mauriceau assumiu o comando desse evento e colocou a mulher para parir deitada." Michel Odent, obstetra francês, na Introdução do livro “Parto Ativo: Guia Prática para o Parto Natural” (1989, Ed. Ground).

Janet Balaskas, educadora perinatal (saúde na gravidez, parto e pós-parto), é a fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo.

Pela primeira vez Janet Balaskas está no Brasil, e virá a São Paulo discutir sobre os movimentos de mulheres pela mudança no parto, em debate promovido pela Universidade de São Paulo.

Reconhecida como um ícone do movimento pela humanização do parto e nascimento, sua visita ao país acontece em boa hora.

Recentemente, a divulgação da pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado (Fundação Perseu Abramo, 2010. Disponível emhttp://www.fpa.org.br/sites/default/files/pesquisaintegra.pdf) revelou que 25% das mulheres sofrem algum tipo de violência institucional durante o atendimento ao parto. A violência obstétrica foi mostrada em toda sua crueza e teve grande repercussão na mídia, no meio médico e em órgãos públicos.

Foto de Bia Fioretti

Ao mesmo tempo, a ameaça de fechamento do curso de Obstetrícia da

Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, único no país, levou centenas de mulheres às ruas de São Paulo. Obstetrizes, enfermeiras e ativistas pela humanização do parto manifestaram-se nas ruas contra a recomendação administrativa, e embasaram seus argumentos nas melhores evidências científicas disponíveis, quais sejam: as obstetrizes favorecem o parto fisiológico de mulheres saudáveis, e, comprovadamente, estão associadas aos melhores resultados maternos e

neonatais.


Na próxima quarta-feira, dia 20 de abril, às 9h30, Janet Balaskas estará na Faculdade de Saúde Pública da USP para compartilhar com o público suas boas experiências com o movimento de mulheres em defesa do Parto Ativo. O início desta história nos remete à Londres de 1982, quando cerca de seis mil pessoas foram às ruas contra a imobilização das parturientes no leito, as episiotomias de rotina, e outras intervenções dolorosas e antiquadas. Há quase 30 anos, na Inglaterra, com liderança de Janet Balaskas, o movimento organizado de mulheres conseguiu acabar com práticas obsoletas e agressivas no parto (como o corte da vagina, a proibição de acompanhantes e a imobilização física das mulheres) que ainda atormentam as mulheres brasileiras, fazendo do parto um evento médico doloroso e induzindo-as para a cesárea anestesiada.



Informações:

Janet Balaskas e o Parto Ativo na FSP/­USP – Atividade gratuita

“O movimento internacional por mudanças na assistência ao parto”

20/04/2011, quarta-feira, 9h30-12h

Faculdade de Saúde Pública da USP

Av. Dr. Arnaldo, 715 - Cerqueira César - São Paulo - SP


Realização:

Curso de Obstetrícia da EACH-USP

Associação de Obstetrizes da USP

Faculdade de Saúde Pública da USP

GEMAS – Gênero, Maternidade, Evidências, Saúde (FSP/USP)

Apoio:
Aoba Bebê (Curitiba-PR)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Carta de obstetrizes e graduandas do curso de Obstetrícia

Após o barulho que a carta de repúdio ao COREN-SP gerou após leitura numa mesa redonda da III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, o grupo de obstetrizes e graduandas presentes na Conferencia, elaboraram uma carta pró-ativa, entendendo que o COREN-SP tem buscado rever, em certa medida sua portura em relação ao curso.

Segue a Moção das obstetrizes e graduandas, lida na mesa de fechamento da Conferência.



O curso de Obstetrícia é reconhecido pela Secretaria Estadual de Educação e é oferecido pela Universidade de São Paulo, uma universidade pública cujas competência, excelência e responsabilidade são internacionalmente reconhecias.

A antiga formação de obstetrizes no Brasil ocorreu até a década de 70, vinculada à Faculdade de Medicina da USP. A atual formação é diferenciada: é um curso de graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades com duração de quatro anos, cuja regulamentação está pautada na lei do exercício profissional de enfermagem.

Nosso currículo contém todas as disciplinas necessárias à aprendizagem da assistência integral à saúde do recém-nascido e da mulher, focada na gravidez, parto e puerpério e assume um compromisso de mudança do modelo biomédico, intervencionista e hierarquizado de assistência ao parto e nascimento no Brasil.

Há dois anos que a primeira turma de Obstetrícia se formou e, como ocorre com qualquer outro curso pioneiro, tivemos e temos ainda dificuldades de inserção no mercado de trabalho. No entanto, estamos ganhando aliados com o tempo e agora, com o apoio do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN – SP), esperamos nos integrar à esta rede de profissionais que lutam por uma causa tão nobre – a humanização do parto e nascimento.

Gostaríamos de pedir o apoio de todos aqueles que fazem parte desta rede a este novo curso, esta nova formação e a estes novos profissionais, que têm como maior desejo poder atuar junto às equipes multiprofissionais de saúde na atenção obstétrica humanizada.

Obstetrícia – USP - Non nove, sed nova (não nova, mas de uma nova forma)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lei do Acompanhante no Parto - Nosso direito não está À VENDA!!!!

A partir de uma denúncia que relatou a cobrança de taxa em um hospital em Cuiabá-MT, o Ministério Público Federal no Mato Grosso firmou um Termo de Ajuste de Conduta com os hospitais particulares locais. Agora, todos eles terão de permitir a permanência do acompanhante de livre escolha da parturiente gratuitamente no acolhimento, pré-parto, parto e pós-parto imediato e afixar cartazes informando os direitos das gestantes. (http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/dest_sup/mpf-mt-move-acao-contra-hospitais-por-cobranca-ilegal-de-taxa)
Se você foi impedida de ter seu acompanhante nesse momento tão delicado que é o nascimento de um filho, DENUNCIE.

Se cobraram uma taxa para a entrada do seu acompanhante no parto, para a roupa (taxa de paramentação), para ele pernoitar, para a alimentação do acompanhante, DENUNCIE.

Se impediram a entrada do seu acompanhante por ser homem, ou por ser mulher, ou por não ser o pai, DENUNCIE.

Toda mulher tem direito de ter um acompanhante de sua livre escolha no acolhimento, pré-parto, parto e pós-parto imediato.

Todo plano de saúde é obrigado a cobrir as despesas de um acompanhante por esse período. É obrigado a cobrir a taxa de paramentação, a alimentação e a acomodação adequada para pernoite.

Se você se sentir mais a vontade, peça "sigilo de dados pessoais" em sua denúncia.

Acesse: http://www.partodoprincipio.com.br/conteudo.php?src=lei_denuncie&ext=html

Dúvidas: leidoacompanhante@partodoprincipio.com.br

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Perlas de Consuelo: ¿EN QUÉ CONSISTE EL PARTO?


Es la fase más breve. fácil y segura de la reproducción y la  única que dado el caso, la mujer puede realizar completamente sola, aunque ello no sea deseable, no por la parte física, sino por la psicológica por que el parto provoca una emoción tal que es conveniente compartirla con una persona amada, el más indicado de todos, el padre del bebé que es bueno que comparta su nacimiento.
El parto es la etapa final, aquella en la que se recoge el fruto, es resultado de una larga espera, el momento en que se satisface una gran ilusión.

Físicamente el parto no es más un simple trabajo muscular. Las fibras longitudinales del útero "tiran" del cérvix hacia arriba, hacia el fondo del útero, al contraerse, al disminuir su longitud, obligando a que el cérvix se acorte, se aplaste y desaparezca, absorbido por la parte inferior del útero.

Tras un descanso más o menos breve, las contracciones se reanudan, dirigidas siempre hacia arriba y van agrandando poco a poco el orificio cervical, a lo cual 0'¡contribuye la bolsa de las aguas, cuya elasticidad permite que se insinúe dentro del orificio, por pqueño que éste sea. A cada contracción, el útero se achata y se achica y el agua que no puede achicarse, lo que hace es tomar presión y expande la parte de la bolsa introducida en el orificio, con la fuerza, hidraúlica, a la vez suave y potente del líquido contenido en ella.

Cuando la dilatación alcanzaun diámetro entre 8 y 10 centímetros, si el feto está en su debido posición, el primer diámetro que presentará a su salida será el bioccipital, unos 7 cm. Si la mujer permanece en pie, el feto caerá en la vagina por su propio peso, lubricado por el vernix caseoso, destinado, precisamente a hacerle resbalar.

La vagina es de un tejido sumamente elástico y está separada del recto por un tabique muy delgado. La parturiente tiene la sensación de tener el recto eccesivamente occupado y su cerebro se persuade también de ello. A la salida del feto, el útero se retrae, las contracciones cesan y hay en período de descanso, como una
recuperación de fuerzas preparándose para el alumbramiento, pero la mujer está muy molesta, con aquel bulto empujando contra el tabique recto/vaginal y el cerebro decide dar la orden de vaciar el recto, por el mismo procedimiento que se vcía siempre, por la contracción de los músculos abdominales, presionan de afuera a adentro y obligan al feto a salir, pero éste se encuentra en su camino un obstáculo inesperado: por la parte posterior ha salido ya parte de la cabeza, desde la coronilla al cogote, pero por delante, la cara está aún dentro de la vagina. Las eminencias frontales se han quedado paradas contra el pubis materno. Para colmo de desdichas, el periné ha decidido convertirse en canal blando del parto e impide la salida del feto, colocándose, como si fuera un capuchón sobre la cabeza fetal. ¡Vaya un problema! En el hospital lo arreglan rápidamente, con un buen tijeretazo, pero merece la pena pararse a pensar ¿por qué se comportará el periné en el parto de un modo tan extravagante?

El organismo humano es una máquina perfecta, todo vale para algo, cada órgano, cada parte del cuerpo, tiene una misión útil y concreta. Ya se sale que el periná es el suelo del abdomen que ejerce un importante papel coadyudando a sostener ensus debida posición las vísceras abdominales, pero esa intrusión en el parto, como para ne dejar salir al pobre feto, tratando de impedir o, por lo menos, retrasar su llegada a este mundo. Le di muchas vueltin en mi magín a este problema y, de repentehallé, como por milagro, la solución: La  Naturaleza ha previsto que para el feto es un gran "choc" encontrarse, de pronto en un Mundo desconocido y, de momento adverso y a encargado al periné que se encargue de que el feto salga despacito, poco a poco, suavemente. ¡Pobre periné! Se juega la vida por evitar que el feto sufra al nacer bruscamente. ¡A me daba pena ver como que ponía pálido, transparente, casi como un cristal y tan frágil como si lo fuera! A todas las comadronas de mi época, nos enseñaban a proteger el periné, en la Escuela de Matronas, en las Maternidades de lasque entonces había varias muy buenas, lo aprendíamos unas matronas de otras,
discutíamos si la maniobra de Olshausen era mejor o peor que la clasica de Bumm. Que periné quedara intacto, como si la mujer no hubiera parido, era motivo de orgullo profesional para todas y cada una de nosotras. Protegíamos los perinés con suavidad y amor, ibamos retirando, poco a poco nuestras manitas, mientras el periné se iba arrugando de nuevo y detrás de la frente surgían los ojos, la nariz, la boca y la barbilla del feto que salía como no por arte de birlibirloque, sino gracias a que el feto sabía hacer, sin que nadie se lo hubiera enseñado, aquellos cuatro movimientos, de rotacuón interna, flexión, deflexión y rotación externa, que todas habíamos estudiado. No sé si a mis colegas les pasaba lo que a mí, que me quedaba extasiada y maravillada al ver con cuantan precisión y limpieza los ejecutaban los fetos, ¡como si no fuera la primera y única vez que nacían, como si estuvieran acostumbrados a nacer, a respirar, a mamar! ¡¡Todo lo sabían hacer solos!! Siendo hijos de unas madres que no sabían parir, pero que tampoco tenían miedo, que
soportaban estoicamente los dolores, que creíamos inevitables del parto y se olvidaban de ellos apenas tenían al bebé en sus brazos.
¡Que gratificante era ser matrona entonces, cuando el parto era un grato y alegre acontecimiento familiar, cuando cada bebé traía no un pan bajo el brazos, aunque buena falta nos hacía, sino sonrisas, amor y paz.


Consuelo Ruiz Vélez-Frías

Ha sido mujer, madre, matrona, , (ha fallecido en el año 2005) y nos ha dejado un legado de buen saber.

ENCUENTRO DE PARTERAS DE URUGUAY

ENCUENTRO DE PARTERAS DE URUGUAY



SUELY CARVALLO PARTERA TRADICIONAL DESDE 1975 FUNDADORA DE LA ONG CAIS DE PARTO Y CO-FUNDADORA DE LA ONG VIVA MUJER


RESPONSABLE DE LA CREACION DE 60 ASOCIACIONES DE PARTERAS EN BRASIL Y DE LA RED NACIONAL DE PARTERAS TRADICIONALES CONVOCA A REUNIRSE A LAS PARTERAS DE URUGUAY EN RELACION AL PARTO TRADICIONAL

EL ENCUENTRO TENDRA LUGAR EN JANAJPACHA; ESPACIO PARA EL CRECIMIENTO INTERIOR DURANTE LOS DIAS 11, 12 Y 13 DE SEPTIEMBRE


PALABRAS DE SUELY:

"Hemos de reciclar los saberes en la contracultura de práctica obstétrica, haciendo emerger la cultura milenaria en el parto. Debemos honrar a nuestros antepasados parteras, pioneras del parto en esta civilización. Revisaremos las prácticas, la historia y la relación con la sociedad y con los gobiernos, la organización política y social de las parteras.

Cómo creamos la red nacional de las parteras tradicionales en Brasil y cómo mantenemos y fortalecemos a este movimiento. Relación con la cultura y la educación. La visión de género estimulando la refundición y acuerdos entre el hombre y la mujer embarazada."

La organización de este encuentro se debe a la venida de Suely a Uruguay para asistir un nacimiento. El encuentro de parteras en un espacio para compartir.

Contactos:
Organización ? 098 407 451 ? gorkareiki@yahoo.com
Janajpacha - 098 512 818 - janajpachauruguay@yahoo.es

http://www.janajpacha.org/

P.D.:

-Para poder hacerse cargo de la vida de otro ser en su llegada a este mundo hay que poder hacerse cargo de la vida de uno mismo y eso implica hacerse cargo de los residuos que generamos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Respiração durante o parto: o auxílio do profissional

 A consciência dos movimentos respiratórios auxilia todas as pessoas em diferentes momentos da vida. No estresse sabemos que se conseguirmos respirar amplamente, aos poucos, o corpo vai relaxando e nos acalmamos.

Geralmente quando estamos sob pressão (por medo, ansiedade, dor, constrangimento) tendemos a respirar superficialmente.

Se estamos acompanhando a mulher durante o trabalho de parto e parto e percebemos que ela está com um padrão respiratório deficitário (segura a respiração, não inspira ou não expira bem), podemos lembrá-la da importancia de retomar um ritmo e a profundidade da respiração.

No entanto, nem sempre o padrão que entendemos ideal é possivel de ser desempenhado, principalmente se esta mulher não teve tempo de "aprender" a respiração ideal.

Se é para sugerir uma respiração, é a profunda e longa, inspirar pelo nariz e soltando o ar suavemente pela boca, podendo vocalizar ou não.

Uma mulher bem conectada con seu ser interior geralmente se conecta também com sua respiração. Quando a mulher está assustada, é bom respirar junto com ela. Inspirar e exalar o ar prestando a atenção nisso permite uma conexão melhor com o processo. Desta maneira ela se entra num estado alterado e mais instintivo de consciência.

A questão do poder preocupa quando nos achamos na condição de "sabedores" de tudo, conhecedores das técnicas e as impomos ao outro. É importante lembrar que o cuidado amoroso não permite esse tipo de abuso... ele se auto-regula.


Notas do Curso Humanização, Módulo Parto, formadora Roselane Gonçalves, enfermeira obstetra e professora USP Leste, e contribuições de María Vergara, doula argentina.



Postado por Adriana Tanese Nogueira no Humanização Esperta em 8/18/2010. Disponível em:

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Parteiras reclamam de restrições à profissão e preconceito

Profissionais querem que prática seja integrada completamente ao SUS
A inclusão do parto domiciliar assistido por parteiras no SUS (Sistema Único de Saúde) será discutida até sexta-feira (13), em Brasília, por profissionais de saúde, parteiras, gestores, representantes de organizações não governamentais e pesquisadores de 15 estados brasileiros. Eles participam do Encontro Nacional de Parteiras Tradicionais: Inclusão e Melhoria da Qualidade da Assistência ao Parto Domiciliar no Sistema Único de Saúde.


De acordo com a subsecretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Lena Peres, a partir do reconhecimento do SUS, as parteiras poderão ser cadastradas, receber qualificação para orientar as mães sobre os cuidados com os bebê e ter acesso a materiais como luvas e álcool e transporte no caso de complicações no parto, além de ter fichas de identificação para facilitar o registro civil. Elas também buscam o direito à remuneração e aposentadoria.

É comum encontrar parteiras no interior dos Estados do Norte e Nordeste do país, em geral, em regiões pouco urbanizadas. Elas costumam passar vários dias na casa da parturiente até que a mulher se recupere depois do nascimento do filho. É a parteira que cuida da mãe, do bebê e dos afazeres domésticos. A maioria não cobra pelo serviço, mas a família dá uma contribuição, que costuma ser pequena por se tratar de regiões pobres.

Segundo a consultora de temas ligados à saúde da mulher, Nubia Melo, o nascimento domiciliar assistido por parteira já é responsabilidade do SUS, mas os acordos assinados neste sentido têm pouco efeito prático.

– Nos locais onde elas atuam a realidade é de abandono, exclusão e atuação isolada. Obviamente esse isolamento aumenta o risco pois a mulher que ela assiste é a que tem menos acesso ao pré-natal.

Além do isolamento, muitas sofrem com o preconceito de profissionais de saúde, como relata Edite Maria da Silva, moradora de Palmares (Pernambuco) e parteira há 44 anos.

– Cada vez somos mais desprezadas por médicos e chefes de saúde que dizem para a mulher não fazer parto tradicional porque a criança pode estar numa posição errada para nascer. Mas, em quatro décadas, já peguei menino até pelo bumbum e ele e a mãe passaram bem. O médico também não pode subir o morro, acompanhar a mulher e acudi-la de madrugada enquanto nós fazemos o que precisar colocando amor e conhecimento nas mãos para pegar a criança.

A dificuldade de integração entre o trabalho feito pelas parteiras e a estrutura de saúde pública também foi citada como um dos motivos para a necessidade de que a profissão seja reconhecida pelo SUS. Edna Brandão, da tribo Shanenawa (Acre), coordenadora de uma organização de mulheres indígenas, diz que "parteiras são barradas em maternidades quando querem acompanhar a mulher ou pedir materiais".

– Mas elas são as verdadeiras profissionais de saúde da floresta porque são formadas lá e têm mas experiência do que quem possui a teoria.

Apesar de depender de um conhecimento tradicional, normalmente repassado de mãe parteira para as filhas, o trabalho destas mulheres é, às vezes, a única alternativa de apoio às gestantes. Ainda hoje, cerca de 30% dos partos feitos no país são domiciliares, informa a subsecretária de direitos humanos.

Segundo ela, a alta porcentagem se deve ao fato de que as parteiras vêm se modernizando, com o incentivo aos exames pré-natal que garantem um parto mais seguro e atuando também nas casas de parto de centros urbanos.
 
Notícia publicada no R7 Notícias. Disponível em:
http://noticias.r7.com/saude/noticias/parteiras-reclamam-de-restricoes-a-profissao-e-preconceito-20100809.html

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Prorrogada a data para as inscrições de trabalhos trabalhos científicos para a III Conferência sobre Humanização do Parto e Nascimento

A ReHuNa - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento, tem grande satisfação em realizar a III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, de 26 a 30 de novembro de 2010 em Brasília-DF, que abordará temas candentes, como a redução da morbimortalidade materna e perinatal, a redução dos índices de cesarianas desnecessárias, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos e a humanização da assistência ao pré-natal, parto, pós-parto.

O PRAZO PARA AS INSCRIÇÕES DE TRABALHOS CIENTÍFICOS, ASSIM COMO PARA AS INCRIÇÕES COM DESCONTO NA CONFERENCIA, FOI PRORROGADO PARA O DIA 31 DE AGOSTO DE 2010.

Maiores informações no site oficial do evento:
http://www.conferenciarehuna2010.com.br/index.php

Sejam benvindos!

É com grande satisfação que lhe convidamos a participar da III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, um evento dirigido a todas as pessoas interessadas em renovar seus conhecimentos sobre este rico campo de saberes.

Um dos objetivos desta III Conferência é dar visibilidade ao muito que vem sendo feito para tornar o parto e o nascimento experiências fortalecedoras para a mulher e sua(seu) recém-nascida(o), retirando dessa vivência a conotação de momento de grande sofrimento. Mesmo que estejamos dando especial foco às realizações no Brasil, abriremos espaço importante ao que ocorre em outras partes do mundo. Assim, nesta Conferência haverá destaque para os Painéis de Experiências Exitosas.

Um objetivo adicional é trazer as mais recentes inovações no campo do cuidado a mulheres e recém-nascidas(os), assim como autoridades já reconhecidas por suas grandes contribuições ao arsenal teórico do movimento.

Esta Conferência ainda objetiva favorecer as articulações entre cientistas, profissionais de saúde e ativistas do Brasil e do exterior, visando o fortalecimento do movimento nacional e internacionalmente.

Finalmente, por realizar-se em Brasília, esta Conferência se propõe a dar visibilidade política aos problemas existentes no cuidado a essa população vulnerável.

Contamos com a sua presença!

 


Daphne Rattner
Presidente da III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento


Desde novembro de 2000, quando em Fortaleza a ReHuNa, numa produtiva parceria com a JICA, realizou a I Conferencia sobre Humanização do Parto e Nascimento (1800 participantes) e depois no Rio de Janeiro em 2005, na II Conferência (+20+05 - 2136 participantes oriundas/os de 14 países), muita coisa se modificou no panorama brasileiro e internacional no campo da assistência ao Parto e Nascimento.
 
As propostas de humanização da assistência ao Parto e Nascimento hoje estão incorporadas às políticas públicas em países como o Brasil, México e Espanha, dentre tantos outros.
 
A partir dessas Conferencias e de outras muitas atividades, a ReHuNa estreitou os laços e a parceria com outras organizações da sociedade civil, instituições de Ensino e Pesquisa e com o Ministério da Saúde.
 
A participação efetiva da ReHuNa no Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, na seleção de instituições merecedoras do Premio Galba de Araújo e nos Seminários de Atenção Obstétrica e Neonatal Humanizada e Baseada em Evidências Científicas, realizados em todos os Estados, evidenciam essa parceria e a contribuição da ReHuNa para as políticas públicas ligadas ao tema no Brasil.
 
Estreitamos nossos laços com organismos e pessoas envolvidas na temática mundo a fora. Somos parceiros da Relacahupan – Rede Latino-Americana e do Caribe pela Humanização do Parto e Nascimento, fundada na Conferência de Fortaleza e que este ano, portanto, completa dez anos de produtiva existência. Participamos ativamente na organização de Congressos, como em 2003 no México, realizado com o apoio do ReHuNa, e em outros países, como o Congreso Interatlántico sobre Parto y Investigación en Salud Primal (Ilhas Canárias, mais de 1200 pessoas oriundas de 43 países), de fevereiro deste ano.
 
Este campo interdisciplinar de saber vem crescendo exponencialmente, de forma que se torna virtualmente impossível nos mantermos atualizadas(os), assim que necessitamos de mais informações para qualificar as nossas práticas diárias. Sem dúvida os grandes eventos favorecem a divulgação de idéias, a troca de experiências, incentivam e fornecem subsídios para suas(seus) participantes atuarem em seus locais de trabalho, ensino e pesquisa.
 
Esta III Conferência se propõe a apontar novos caminhos para as políticas públicas, para as práticas profissionais e para a atuação do movimento social. Convidamos vocês a trilhar esses caminhos conosco – e que seja uma jornada benfazeja!

 


Marcos Leite dos Santos
Presidente da ReHuNa

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que aconteceu com o Parto?


Na história da humanidade a parteira sempre esteve presente no contexto mais íntimo da mulher, marcadamente nas esferas sexuais e reprodutivas. Por isso, a sabedoria  de dar à luz era adquirida pela convivência entre mulheres e os ensinamentos passados de geração em geração.

Desde o início do século XX, quando houve os primeiros resquícios de hospitalização do parto, as mulheres perderam seus direitos de escolha e foram submetidas às práticas médicas, que partiam do preceito da experiência de dar à luz como um evento patológico e danoso para as mulheres.

Muitos procedimentos sem respaldo científico foram inseridos nas rotinas hospitalares, medicalizando a assistência e impossibilitando a vivência do parto como um evento fisiológico de múltiplos significados: culturais, sexuais, sociais e espirituais.

Na assistência hospitalar e medicalizada ao parto surgiram mitos, por sua vez entendidos como "verdades", que eram transmitidos na formação de escolas médicas.  Esses mitos procuravam dar explicações aos fenômenos naturais que envolviam a gestação e o parto, independentemente de suas validações científicas. Por isso, o parto hospitalar tornou-se tão temido pelas mulheres: deitadas em macas com soros e fórceps, impossibilitadas de se movimentar e vivenciá-lo de forma natural.

Há mais ou menos vinte e cinco anos, diversos movimentos sociais no mundo todo, com a participação de profissionais, estudiosos e usuárias de saúde vieram ao questionamento sobre as práticas na assistência obstétrica. Dentre eles, o surgimento do movimento chamado  Medicina Baseada em Evidência trouxe à luz o balanço entre segurança e efetividade destas práticas que nortearam órgãos importantes da saúde como a OMS (Organização Mundial de Saúde). Assim, diversos mitos acerca do parto e nascimento foram sendo desfeitos, moldando novas concepções nas práticas da assistência obstétrica.

O movimento de mulheres feministas pela humanização do parto trouxe novas perspectivas sobre o significado do parto para a vida das mulheres, redescrevendo sua fisiologia e percebendo que havia necessidade de reconsiderar a importância do parto como um evento fisiológico e natural para melhores resultados de saúde para mulheres e bebês.

Infelizmente hoje, as mulheres brasileiras têm tido pouco acesso às informações que lhes permitam fazer escolhas conscientes durante a gestação e o parto. O difícil acesso a essas informações tornam corriqueiras algumas práticas hospitalares, que deveriam ser erradicadas, segundo o Ministério da Saúde, como por exemplo: utilização do soro com ocitocina de rotina (hormônio sintético para aumentar as contrações), restrições de movimentação durante o trabalho de parto, episiotomia de rotina (corte na vagina) e a própria "moda" das cesáreas marcadas entre muitos outros.

A escolha informada para um parto fisiológico favorece o respeito à diversidade de emoções e sentimentos inseridos nesta vivência de dar à luz na vida das mulheres e suas comunidades, cultivando o ideal de uma sociedade mais consciente de seus valores e livre para decidir sem medos e imposições.

Escolhas devem ser baseadas em informações seguras- diga não aos mitos e imposições.

Bianca Zorzam

segunda-feira, 14 de junho de 2010

III Conferência Internacional do Parto e Nascimento

III Conferencia Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento

26 a 30 de novembro de 2010

Centro de Convenções Ulysses Guimarães

Brasília - DF

BRASIL

http://www.conferenciarehuna2010.com.br/

Um de nossos objetivos é dar visibilidade ao que vem sendo feito e aos avanços da humanização em nosso país. Para tanto, daremos destaque à apresentação de painéis de experiências bem sucedidas no campo da humanização.

Evento divulgado pelo Aleitamento.com. Disponível em:
http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id_artigo=2254

sábado, 22 de maio de 2010

Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento

Exposição fotográfica em comemoração à Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento em Campinas.

Do dia 16 a 23 de maio.
Local: R. Edward Vita de Godoy, 828 em Barão Geraldo, no Espaço Céu Aberto.

A programação desse mês vocês conferem no blog: http://ceuabertoarte.blogspot.com/2010/05/exposicao-de-fotografias-semana-mundial.html


Divulgado por Renata Olah

O mundo precisa de parteiras, agora mais do que nunca!

São necessárias 350.000 parteiras para reduzir as mortes e lesões desnecessárias durante o parto.

Enquanto em todo o mundo as parteiras se preparam para celebrar o Dia Internacional da Parteira, no dia 5 de maio, a Confederação Internacional de Parteiras (ICM na sigla em inglês) exorta os líderes mundiais a que destinem mais recursos para as parteiras.

A próxima reunião do G8 a ser realizada no Canadá destacará a necessidade de reduzir a morbidade e mortalidade materna e de recém-nascidos no mundo todo.Os recursos humanos de parteria já foram identificados como um fator essencial para alcançar esse objetivo.

Bridget Lynch, presidente da ICM, disse que "as parteiras ajudam a salvar as vidas das mães e de seus recém-nascidos e que sem as parteiras as mulheres continuarão a morrer sem necessidade, de complicações relacionadas ao parto.

A ICM clama aos governos para que fortaleçam a parteria em todo o mundo, pois quando as parteiras contam com o apoio de sistemas de saúde operantes para utilizar suas habilidades básicas para salvar vidas, elas podem ajudar a prevenir até 90% das mortes maternas.

A Confederação Internacional de Parteiras diz que é uma vergonha internacional que uma mulher morra a cada minuto porque está grávida, especialmente porque a maioria das mortes são evitáveis. A Presidente da ICM, Bridget Lynch, acrescenta: O incremento de umas 350.000 parteiras a mais no mundo inteiro é ainda mais urgente se considerarmos que a cada ano morrem 1,5 milhões de recém nascidos nas primeiras 24 horas de vida e milhões de mulheres sofrem de incapacidades duradouras porque não têm acesso à assistência básica durante o parto.

O Dia Internacional da Parteira foi estabelecido para conscientizar o mundo inteiro sobre o papel da parteira. Este ano, os membros da ICM em todo o mundo estarão unindo as suas 96 associações para dar destaque às profissionais de parteria.

No mes de maio, a aliança White Ribbon Alliance (Aliança Fita Branca) e a Campanha de Mortalidade Materna lançaram a campanha "Parteiras são super-heróis" ("Midwives are Super Heroes") e Save the Children publicará seu informe anual sobre o estado das mães do mundo ("State of the World's Mothers"), que reconhece o papel das parteiras para salvar as vidas dos recém-nascidos nos países de baixa renda.

Ademais, a OMS, UNFPA, UNICEF e o Banco Mundial estão organizando o simpósio global de parteria que será realizado na cidade de Washington, D.C., no próximo mês de junho. Esta reunião reunirá todas as alianças globais, para fortalecer o papel da parteira na promoção e proteção da saúde materna e do recém nascido no mundo. Bridget Lynch, Presidente da ICM diz: "Este ano marca o reconhecimento significativo da necessidade absoluta de desenvolver uma forte capacidade de trabalho de partería."

Se queremos alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até o ano de 2015, fortalecer a partería deve ser uma prioridade para todos os governos do mundo.

O mundo necessita parteiras agora, mais do que nunca!

Divulgado pela Profa Dra Nádia Zanon Narchi, no dia 5 de Maio de 2010, por meio da lista da ABENFO - SP, sobre o Dia da Parteira - Confederação Internacional das Parteiras.

Episiotomia: breve histórico

Por Dra. Melania Amorim

A episiotomia consiste na incisão do períneo para ampliar o canal de parto, e sua prática foi historicamente introduzida no século XVIII por uma parteira irlandesa, Oud (1741), para ajudar o desprendimento fetal em partos difíceis. Embora não tenha ganhado popularidade no século XIX, o procedimento tornou-se disseminado no século XX em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos da América e países latino-americanos, entre eles o Brasil. Foi a época em que a percepção do nascimento como um processo normal requerendo o mínimo de intervenção foi substituído pelo conceito do parto como um processo patológico, requerendo intervenção médica para prevenir lesões maternas e fetais.


A popularidade da episiotomia difundiu-se enormemente a partir das recomendações de obstetras famosos, como Pomeroy e DeLee. Este último, na década de 1920, lançou um tratado em que recomendava episiotomia sistemática E fórceps de alívio em todas as primíparas. A finalidade da episiotomia, de acordo com os postulados de DeLee, seria reduzir a probabilidade de lacerações perineais graves e o risco de trauma fetal, e isso passou a ser aceito como verdade incontestável e transcrito em tratados de obstetrícia, embora não tivesse sido comprovado em nenhum estudo clínico na época.

A prática da episiotomia foi grandemente alargada nas décadas subseqüentes, coincidindo com o número progressivamente maior de partos hospitalares a partir da década de 1940, nos EUA. Esta mudança no local de parto gerou uma série de intervenções que não se baseavam em nenhuma evidência científica. Alguns autores mencionam que a prática da episiotomia aumentou consideravelmente a partir da década de 1950 porque muitos médicos acreditavam que sua realização reduzia significativamente o período expulsivo, o que lhes permitia atender rapidamente a grande demanda de partos hospitalares, às vezes simultâneos.

Deve-se destacar que o uso se tornou bem mais freqüente com a adoção do parto em posição horizontal (baseado fundamentalmente no conforto no obstetra) e da prática sistemática do fórceps de alívio, requerendo "espaço extra" para a manipulação vaginal.

O número de episiotomias só passou a se reduzir a partir da década de 70, quando os movimentos de mulheres e as campanhas pró-parto ativo passaram a questionar o procedimento. Concomitantemente, foram publicados os primeiros estudos clínicos bem conduzidos sobre o tema, em que se questionava o uso rotineiro de episiotomia. Destaca-se a importante revisão de Thacker e Banta, publicada em 1983, em que se demonstrou, além da inexistência de evidências de sua eficácia, evidências consideráveis dos riscos associados ao procedimento: dor, edema, infecção, hematoma e dispareunia. Apesar de ter tido pouco impacto na comunidade científica na época, este estudo despertou o interesse de se estudar sobre episiotomia, e posteriormente foram conduzidos ensaios clínicos randomizados bem controlados, dos quais o maior foi um estudo argentino, publicado em 1993.

A revisão sistemática da Biblioteca Cochrane (Carroli e Belizan), atualizada pela última vez em 1999, inclui seis ensaios clínicos randomizados e um total de 4850, submetidas à episiotomia de rotina ou seletiva. No primeiro grupo, 73% receberam episiotomia, contra 28% no segundo grupo. Os autores concluíram que os benefícios da episitomia seletiva (indicada somente em situações especiais) são bem maiores que a prática da episiotomia de rotina.

Conclusões
Baseando-nos nesses resultados da revisão sistemática, bem como nas conclusões de diversos outros estudos randomizados desde então publicados, podemos afirmar que:

1) Não há diferença nos resultados perinatais nem redução da incidência de asfixia nos partos com ou sem episiotomia, ou seja: os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la com esse intuito.

2) Não há proteção do assoalho pélvico materno: a episiotomia não protege contra incontinência urinária ou fecal, e tampouco contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas.

3) A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando se realiza episiotomia.

4) A episiotomia é per se uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer nenhuma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico.

5) A episiotomia não reduz o dano perineal, ao contrário, aumenta-o: nas episiotomias medianas é maior o risco de lacerações de terceiro ou quarto graus.

6) A episiotomia aumenta a chance de dor pós-parto e dispareunia.

7) A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma.

A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde não é de proibir a episiotomia, mas de restringir seu uso, porque em alguns casos ela pode ser necessária. Não está muito claro em que situações a episiotomia é, de fato, imprescindível, porque até mesmo partos instrumentais (fórceps ou vácuo-extração) podem ser realizados sem episiotomia. Fala-se muito em "ameaça de ruptura perineal grave", para prevenir rupturas de terceiro ou quarto grau, mas o que, clinicamente, caracteriza essa "ameaça" ainda não está definido.

A episiotomia não é útil na distocia de ombros, porque o problema neste caso é uma desproporção dos ombros fetais com a pelve óssea, e não com o períneo da mãe. Possivelmente esses aspectos serão desvendados em estudos futuros. É importante lembrar que, como todo procedimento cirúrgico, a episiotomia só deveria ser realizada com o consentimento pós-informação da parturiente. O planejamento em relação a esta e outras intervenções também deve fazer parte do plano de parto.

O ideal é que a taxa de episiotomia nos diversos serviços seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. A taxa de episiotomias também vem caindo significativamente nos EUA, embora ainda persista elevada: o percentual de episiotomias em partos vaginais variou de 65,3% in 1979 para 38,6% em 1997.

Infelizmente, no Brasil, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais. No país que é o segundo "campeão" mundial de cesáreas, quando não se corta por cima, se corta por baixo (Diniz e Chachan, 2004). Urge nos mobilizarmos contra essa prática abusiva, porque reduzir procedimentos cirúrgicos desnecessários é essencial na luta pela humanização do parto e na promoção de cuidados baseados em evidências.

Melania Amorim, MD, PhD
Médica formada pela UFPB
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Mestre em Saúde Materno-Infantil pelo IMIP
Doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP
Pós-doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP
Pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS
Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG
Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP
Colaboradora da OMS e revisora da Biblioteca Cochrane


Esta matéria foi postada pela Dra. Melania Amorim Comunidade do Orkut "G.O. Baseada em Evidências", na parte dos Fóruns em maio de 2005. Disponível em:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1615199&tid=9460296

Parto em casa é seguro

Por Melania Amorim

Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa [http://guiadobebe.uol.com.br/parto/parto_em_casa.htm]. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.


Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.

Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso país, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas.

O parto em casa, conquanto seja uma modalidade ainda pouco freqüente no Brasil, representa uma realidade dentro do modelo obstétrico de diversos outros países, como a Holanda, onde 40% dos partos são assistidos em domicílio, dentro do Sistema de Saúde. Mas vários outros países europeus e até os EUA contam com estatísticas confiáveis pertinentes aos partos atendidos em casa, e é impossível falar em RISCOS ou SEGURANÇA sem considerar os resultados dos diversos estudos já publicados sobre o tema.

Em 2005, chamou a atenção a publicação de um interessante estudo analisando os desfechos de partos domiciliares assistidos por parteiras na América do Norte: "Outcomes of planned home births with certified professional midwives: large prospective study in North America"[http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom]. O estudo incluiu 5418 mulheres. A taxa de transferência para hospital foi de 12%, com uma taxa de cesariana de 8,3% em primíparas e 1,6% em multíparas.

A frequência de intervenções foi muito baixa, correspondendo a 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas. A taxa de mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) foi de 1,7 por 1.000, semelhante à observada em partos de baixo risco atendidos em ambiente hospitalar. Não houve mortes maternas. O grau de satisfação foi elevado (97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas). A conclusão deste estudo foi que os partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hospitalares de baixo risco, com uma frequência bem mais baixa de intervenções médicas. Entretanto, alguns críticos comentaram que o número de casos envolvidos seria insuficiente para determinar a segurança do parto domiciliar em termos de mortalidade materna e perinatal.

Seguiram-se vários outros estudos, publicados em diversas regiões do mundo, comparando a morbidade e a mortalidade tanto materna como perinatal entre partos domiciliares e hospitalares. A conclusão geral é que o parto domiciliar NÃO envolve mais riscos para mães e seus bebês, e cursa com vantagens diversas, relacionadas sobretudo à expressiva redução de intervenções e procedimentos. Partos assistidos em casa têm menor risco de episiotomia, de analgesia de parto, de uso de fórceps ou vácuo-extrator, de indicação de cesárea e a taxa de transferência hospitalar fica em torno de 12%. Destaca-se ainda o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar. O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intraparto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, dese que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.

Parteiras treinadas ou midwives, em diversos países, são aquelas profissionais que cursam em nível superior o curso de Obstetrícia e são treinadas para atender partos de baixo-risco e, ao mesmo tempo, desenvolvem habilidades específicas para identificar os casos de alto-risco, providenciar suporte básico de vida em emergências, tratar potenciais complicações e referenciar ao hospital, quando necessário.

Essas profissionais, como a que atendeu Gisele Bundchen, estão aptas para prestar o atendimento à mãe durante todo o parto, bem como para assistir o bebê imediatamente após o nascimento e nas primeiras 24 horas de vida. Embora não haja necessidade de equipamentos sofisticados ou de UTI à porta da casa da parturiente, o material básico de reanimação neonatal é providenciado pelas parteiras certificadas. Parteiras também podem atender em hospital, de forma independente ou associadas com médicos.

Uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.

Em resumo, as evidências científicas disponíveis corroboram a segurança e os efeitos benéficos do parto domiciliar. Apenas criticar e apontar possíveis complicações, sem comprovar as críticas com evidências bem documentadas, publicadas em revistas de forte impacto, não pode ser mais aceito em um momento da história em que os cuidados de saúde devem se respaldar não apenas na opinião do profissional mas, ao contrário, devem se embasar em evidências científicas sólidas. Este é o preceito básico do que se convencionou chamar de “Saúde Baseada em Evidências”, correspondendo à integração da experiência clínica individual com as melhores evidências correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”. Embora iniciado na Medicina (“Medicina Baseada em Evidências”) esse novo paradigma estende-se a todas as áreas e sub-áreas da Saúde.

Melania Amorim, MD, PhD
Médica formada pela UFPB
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Mestre em Saúde Materno-Infantil pelo IMIP
Doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP
Pós-doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP
Pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS
Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG
Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP
Colaboradora da OMS e revisora da Biblioteca Cochrane

Matéria publicada em 03/03/2010 no Guia do Bebê, disponível em:
http://guiadobebe.uol.com.br/parto/parto_em_casa_e_seguro.htm

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Obstetrícia: do sonho ao pesadelo.

Por Cláudia de Azevedo Aguiar¹ e Maíra Fernandes Bittencourt²

 
Em 2005, a USP, contemplando um dos projetos pedagógicos mais atualizados e modernos do ensino superior brasileiro, foi expandida com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). Dentre os cursos desta unidade, está a formação em Obstetrícia - hoje com duas turmas já formadas.

Esses profissionais, tal como definem o site da EACH e o catálogo “A Universidade e as Profissões”, estão habilitados para atuar de forma autônoma ou integrada à equipe de saúde na assistência à gestação e ao trabalho de parto de baixo risco, ao parto normal e ao puerpério (pós-parto).

Para além do acréscimo de vagas na USP, a retomada do curso se deu por uma necessidade de mudanças no cenário da assistência ao parto e nascimento do país. Uma pesquisa rápida aos indicadores de saúde obstétrica e neonatal brasileiros fala por si só. Índices indiscriminados de cesarianas, associados às altas taxas de morbidade e mortalidade materna e infantil ratificam a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) para a formação de profissionais capacitados.

Do ponto de vista legal, o profissional em Obstetrícia - denominado obstetriz – está inserido na Lei do Exercício Profissional de Enfermagem, e, portanto, deve ser registrado pelo Conselho Regional de Enfermagem (COREN). Fato é que isto só tem ocorrido via ação judicial. Os motivos? É o que se pretende abordar neste artigo.

Em suma, os alunos da primeira e segunda turma, ao se formarem, dirigiram-se ao COREN-SP para realizarem seus registros, quando foram informados de que o conselho “não reconhece” o curso. Segundo o presidente do COREN-SP, sr. Cláudio Alves Porto, a obstetriz contemplada na lei de exercício da profissão de enfermagem não é a mesma formada atualmente pela USP, mas sim aquela do já extinto curso de Obstetrícia da USP da década de 70.

Uma ação judicial fora aberta, então, pelos alunos contra o COREN-SP e, até o momento, todas as instâncias foram favoráveis aos ex-alunos. Como consequência, o conselho foi obrigado a registrá-los, sob pena de lei.

Porém, quando se esperava pela bonança, novas dificuldades surgiram, resultando numa empregabilidade desses profissionais menor do que 10%, em dois anos. Falta de conhecimento do mercado, levando a não contratação dos obstetrizes? Não apenas!

Em sua edição de novembro passado, a Revista de Enfermagem do COREN-SP divulgou uma matéria intitulada “Graduação de obstetrícia da USP Leste: esclarecimentos e alerta do COREN-SP”. Nela, a idoneidade, o conteúdo e a abrangência do curso são ignorados e o profissional por ele formado é denominado incompetente e mal capacitado. Além disso, percebe-se na matéria a reiteração de argumentos inconsistentes para a não contratação de obstetrizes, já que este ato culminaria em problemas ético-institucionais para os contratantes e, no caso dos obstetrizes, o exercício ilegal da profissão.

O referido artigo alerta, ainda, para o risco do enfermeiro responsável nos campos de estágio, que ao receber os estudantes de uma profissão ilegal, termos do artigo, pode responder judicialmente pelas iatrogenias geradas em função do despreparo dos estagiários. Os alunos, ao contrário, sequer responderiam ou seriam penalizados, uma vez que não possuem uma profissão regulamentada.

Sobre a afirmação de que a(o) obstetriz possui uma profissão ilegal, basta que se consulte a já citada lei. Quanto ao risco dos profissionais de saúde cometerem iatrogenias, sabe-se que, quaisquer que seja a sua categoria, é presente e, para isso, existem os órgão regulamentadores e fiscais.

Como o próprio código de ética de enfermagem orienta, entendemos que a atuação dos profissional de saúde deverá ser, a todo momento, criteriosa, e que, inicialmente, deverá se valer da supervisão e orientação de colegas mais experientes, para que a assistência ocorra de forma segura.

Vejamos algumas contradições do sr. Porto: o conselho credencia os obstetrizes, habilitando-os para o exercício da profissão, mas, ao mesmo tempo, não os recomenda. Além disso, ao mesmo tempo em defende que o obstetriz não é enfermeiro e, portanto, não deve ser cadastrado como um, alega que o conselho não possui meios para produzir graficamente uma credencial que diferencie obstetrizes dos enfermeiros. Sendo assim, questionamos: existe alguma dúvida sobre o inevitável conflito que se faz presente e crescente? A quem este senhor está atingindo? Somente os obstetrizes? Fica aqui o nosso alerta aos enfermeiros.

Vale destacar que é de grande interesse dos obstetrizes uma cédula de registro profissional própria, já que não desejam exercer quaisquer outras atividades que não aquelas de sua competência.

Fica claro no julgamento do COREN-SP ao desqualificar os alunos e os profissionais formados em Obstetrícia, que os docentes da Universidade são incapazes de formar no sentido teórico e prático estes estudantes. Julgam que os alunos em campo de estágio e os obstetrizes já formados serão sempre despreparados para exercerem a assistência em saúde da mulher. E nos perguntamos em que momento ocorreu esta avaliação, quais os critérios utilizados e por que são tão discordantes da avaliação realizada pelos renomados docentes do curso e por diversos estudiosos da área de saúde materna e infantil.

Se o projeto pedagógico do curso de Obstetrícia não contempla todas as disciplinas e estágios da formação de enfermagem, a resposta é simples: o curso de Obstetrícia não forma enfermeiros!

Talvez o maior problema do COREN-SP, atualmente, esteja em tomar para si uma função que não lhe cabe: avaliar cursos superiores. O curso de Obstetrícia, como todos os outros cursos superiores do país, passou pelo processo de avaliação do Ministério da Educação cujo resultado foi a aprovação do seu reconhecimento, conforme Portaria CEE-GP nº 368/2008, publicada no D.O. de 23/06/2008.

Consideramos extremamente arbitrário e retrógrado dizer que os obstetrizes formados antes da década de 70 não são os mesmos profissionais formados neste novo curso. Será que o COREN-SP defende, portanto, que a formação dos profissionais é estática? Quer dizer então que os cursos de enfermagem não passaram por reformulações desde a década de 70? Será mesmo que os Conselhos devem ser conservadores ao ponto de não acompanharem as mudanças da sociedade?

Novas perspectivas, novos paradigmas implicam nas mudanças curriculares e inclusive na criação e retomada de novas profissões. E neste sentido as instituições competentes fazem seu trabalho para aperfeiçoar e melhorar estas formações, como faz a USP.

Durante o curso de obstetrícia, os estudantes são a todo momento levados a refletir sobre a importância das mudanças de paradigmas em relação ao modelo hegemônico de assistência obstétrica. Esta formação ressalta a importância de estar focado na mulher e no bebê e não apenas nas técnicas de rotina. Valoriza, ainda, que todos os procedimentos e atenções durante a assistência estejam sempre de acordo com as evidências científicas. Perguntamo-nos se o que assusta este Conselho não seria, na verdade, o questionamento do curso em relação ao atual modelo de assistência à saúde da mulher.

É extremamente frustrante que profissionais recém-formados tenham que, além de enfrentar as dificuldades para o ingresso no mercado e os conflitos entre os modelos de assistência, ter também que se defender e lutar contra quem deveria estar os apoiando. Vale lembrar que os Conselhos não precisam estar restritos a somente uma categoria, e parece ser fortalecedor e inteligente que possam abrigar categoria afins, como é o caso do CREA (Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorologia) e do CREFITO (Fisioterapia e Terapia Ocupacional).

Obstetrizes têm ocupado as primeiras posições em concursos públicos, no entanto, estão sendo, humilhantemente, proibidos de atuar. Quando se poderia constituir uma parceria saudável, com objetivos comuns entre estas duas categorias, percebe-se uma evidente briga política e, sobretudo, uma lamentável briga de egos. Enquanto isso, inúmeras mulheres e seus bebês - os menos beneficiados com essa união que insiste em não ocorrer – continuam carentes de mais profissionais qualificados para os assistirem.

1 - Obstetriz formada pela EACH-USP e mestranda da Faculdade de Saúde Pública - USP. claudia.azevedo@usp.br
2 - Obstetriz formada pela EACH-USP e doula. mairafarfala@yahoo.com.br

Artigo publicado no Jornal da USP em março de 2010 em resposta ao artigo da revista do COREN-SP entitulada “Graduação de obstetrícia da USP Leste: esclarecimentos e alerta do COREN-SP” em novembro de 2009.