terça-feira, 20 de setembro de 2011

Experiência do Curumim em reunião da ONU


Nos próximos dias 18 e 19 de setembro, o trabalho da ONG pernambucana Grupo Curumim junto às parteiras tradicionais do Brasil será apresentado como experiência exitosa de melhoria de atenção à saúde da mulher em reunião organizada por agências das Nações Unidas, em Nova York. A Dra. Sandra Valongueiro, pesquisadora da UFPE, fará a apresentação. O encontro tem como objetivo discutir dois dos principais desafios para os países alcançarem as Metas de Desenvolvimento do Milênio (ODM), a redução da mortalidade materna e da mortalidade infantil. A reunião também visa convocar atores-chave de diversos países que podem acelerar a qualidade da atenção à saúde reprodutiva e neonatal, especialmente através de programas com parteiras tradicionais nas comunidades, o que abarcaria as áreas de obstetrícia, planejamento familiar e de prevenção de HIV / DSTs.  Os participantes são os chefes das agências da ONU; Ministros da Saúde;  representantes da sociedade civil, particularmente de organizações de mulheres e profissionais de saúde.

A reunião – As agências do sistema ONU estão convidando em especial oito países (Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Moçambique, Nigéria e República Unida da Tanzânia), os quais apresentam elevados índices de morte materna e infantil. Usando dados de sete destes países, os participantes vão discutir meios para preencher lacunas financeiras, material e em recursos humanos. O objetivo é que os países estejam suficientemente financiados e apoiados para implementar intervenções de enfrentamento do problema, o que inclui o envolvimento das mulheres no desenvolvimento destas soluções. O avanço desses países poderia prevenir cerca de 4,1 milhões de mortes de crianças menores de cinco anos de idade e cerca de 195.000 mortes maternas a cada ano.

O trabalho com parteiras – Há mais de duas décadas, o Grupo Curumim desenvolve o programa Parteira. Este incide nas definições de políticas públicas de saúde do país para a inclusão do parto domiciliar assistidos por parteiras tradicionais no conjunto da atenção integral à saúde da mulher no Brasil. O projeto já trabalhou com mais de duas mil parteiras tradicionais, indígenas, quilombolas e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) nos estados do Acre, Amazônia, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Góias, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Paraná.

“O trabalho com as parteiras tradicionais é importante para que as ações de saúde reprodutiva e especialmente obstétrica, propostas pelos governos, tenham adesão da comunidade, já que as parteiras em suas localidades representam uma importante liderança. O trabalho com parteiras tradicionais que o Grupo Curumim propõe visa fazer com que as parteiras tradicionais sejam um elo entre os serviços públicos de saúde e a comunidade”, afirma Paula Viana, coordenadora do programa Parteiras, do Grupo Curumim.

Pesquisa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) revela que o mundo tem carência de cerca de 350 mil parteiras, resultando na morte desnecessária de milhares de mulheres e de aproximadamente um milhão de bebês todos os anos. A organização Save the Children, por sua vez, calcula em 48 milhões o número de mulheres que, anualmente, dão à luz sem auxílio adequado, aumentando os riscos de morte tanto da mãe quanto do recém-nascido. 


Paula Viana
Grupo Curumim
Recife - Pernambuco - Brasil

domingo, 7 de agosto de 2011

Pesquisa Nascer no Brasil é tema de seminário na Unicamp

ENSP, publicada em 05/08/2011

A pesquisa Nascer no Brasil - Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, que estuda as condições de parto e nascimento no Brasil por meio de um inquérito com 24 mil puérperas em todo o Brasil, será apresentada na Unicamp no dia 11 de agosto de 2011, das 14 às 17 horas. O projeto Nascer no Brasil: Inquérito sobre Parto e Nascimento é coordenado pela pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP (Demqs), Maria do Carmo Leal.

Realizada em conjunto com a ENSP/Fiocruz, a apresentação tem como objetivo divulgar a pesquisa e apresentar os principais aspectos metodológicos e logísticos do estudo, além de discutir e sensibilizar a comunidade científica e a sociedade sobre as condições do nascimento no Brasil e as estratégias para melhorar a qualidade da assistência às mulheres e recém-nascidos. A atividade é voltada para pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes, movimentos de mulheres e demais interessados.

O evento é aberto e gratuito e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail sabrinamv79@gmail.com, aos cuidados de Sabrina.

Programação:
14 horas - Recepção
14h30 - Abertura
14h45 - Pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento
por Maria do Carmo Leal (ENSP/Fiocruz)
15h15 - Comentários:
Antonieta Keiko Kakuda Shimo (FCM/Unicamp)
Denise Bueno Parto do Principio (Campinas)
Carmem Simone Grilo Diniz (FSP/USP)
17 horas - Encerramento

Local:
Salão Nobre da Faculdade de Ciências Médicas/Unicamp
Rua: Tessália Vieira de Camargo 126 - Cidade Universitária Zeferino Vaz - Campinas/SP

domingo, 3 de julho de 2011

MPF quer que conselho reconheça obstetrizes como enfermeiros

29 de junho de 2011

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo enviou uma recomendação nesta quarta-feira ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) para que o órgão considere como enfermeiros os portadores de diploma de Obstetrícia. Para isso, o MPF determinou que conselho revogue a resolução que proíbe a inscrição de obstetrizes nos conselhos regionais de enfermagem.
A medida beneficia os estudantes de Obstetrícia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP). De acordo com o MPF, um inquérito civil público foi aberto após a constatação de que o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SP) estava indeferindo o registro de bacharéis formandos pela USP. O Coren-SP e o Cofen têm um prazo de 25 dias para informar se cumpriram a recomendação.
O Ministério Público informou que a grade curricular do curso foi alterada baseando-se no curso de enfermagem e que o conselho regional teria concordado em reconhecer como bacharéis os alunos que a cumprissem. No entanto, a decisão foi refutada pelo conselho federal, que expediu a resolução nº 378 em 29 de abril de 2011, determinando que os conselhos regionais não aceitassem a inscrição de obstetrizes, independente da carga horária cumprida.
"O MPF entende que a tarefa de aferir a qualidade do curso cabe aos órgãos educacionais responsáveis, sendo ilegal negar o exercício da profissão ao titular do diploma de um curso autorizado e em regular funcionamento. O curso de Obstetrícia da EACH/USP foi reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo", diz o MPF em comunicado.

Obstetrícia
O curso de Obstetrícia da EACH/USP abriu sua primeira turma em 2008 focando no atendimento às mulheres no período que corresponde do pré-natal ao pós-parto. Segundo o MPF, pesquisas realizadas no exterior indicam uma relação na redução da mortalidade materna e perinatal e o investimento na capacidade das obstetrizes em trabalhar na atenção primária e comunitária das mulheres na fase final da gestação e após o nascimento da criança.
"A profissão, portanto, apresenta importância técnica e social nas políticas públicas voltadas à saúde da mulher. Segundo essas mesmas pesquisas, o parto conduzido ou auxiliado por profissional especializado mostra-se benéfico tanto para a mulher quanto para a criança", afirma o MPF.
A assessoria do Coren ainda não se pronunciou sobre a recomendação do MP.